Tá na moda odiar, tá na moda não ouvir o outro (parte 1)

0

No Brasil pré-eleições 2018, nos encontramos em um momento de muita discussão (e pouco debate), em que  vemos por todos os lados muitos inimigos (e poucos adversários). Esse clima pesado de não ouvir o outro já é algo que vem crescendo no nosso país, desde as manifestações de 2013. Mas o maior “vilão” é a internet, com suas bolhas que mais nos afastam que aproximam. Esse fato pode ser encontrado nos comentários do Facebook de minha primeira coluna, onde ocorreram ataques tanto a mim, quanto a outros.

Muitos desses ataques vieram de diferentes visões políticas, de Bolsonaro a Lula, esse fato em si, mostra a independência desse espaço, de não estar preso a nenhuma visão pré-estabelecida. Em alguns desses comentários, era latente certo rancor contra um dado contrário a seu político favorito (e não uma opinião).

Cito isso, não por me incomodar com tais críticas, que já eram mais que esperadas, dada a atual situação, mas para dar início a uma nova temática e tentar entender por que falta tanto diálogo hoje na política. Então, a seguir tecerei alguns breves comentários para tentar elucidar um pouco dos motivos dessa paixão irracional por parte de algumas pessoas.

Imagem coluna 3

Algoritmos criam bolhas, bolhas acabam com o diálogo e adversário vira inimigo

Na primeira parte desse tema, a referência é uma entrevista dada pelo jornalista e professor Paulo Castro (Universidade Federal do Rio de Janeiro), que pesquisa áreas associadas à internet,  como redes sociais e sociedade, big data, algoritmos e cultura, para a revista Caros Amigos, edição de maio de 2017.

O destaque aqui são os algoritmos, programações presentes nas redes sociais, que visam melhorar nossa experiência nas mesmas. Como fazem isso? Tentando fazer com que os usuários fiquem o máximo de tempo possível na rede. Para esse fim, os algoritmos detectam aquilo que ficamos mais tempo observando, o que mais curtimos e o que mais compartilhamos. Mas, o que parece um upgrade perfeito de nossa experiência com a tecnologia, pode ter efeitos nefastos na cidadania eleitoral.

Como assim? Fazendo-nos ver apenas o que gostamos, pode criar bolhas, em que apenas convivemos e visualizamos aquilo que “gostamos”, não abrindo dessa forma, espaço ao contraditório, a um processo dialético de aprendizagem, algo que nossa longa trajetória histórica de democracia nos ensinou ser tão importante.

Acerca desse processo, o que podemos estar perdendo é basicamente a ideia de ouvir o outro, pensar sobre, retornar ao seu ponto de vista original e criar uma nova, sintetizando as duas. Este é o princípio que está por trás da ideia de democracia.

Os algoritmos podem estar nos fazendo conviver apenas com os iguais, nos dando assim uma falsa impressão de verdade eterna, esse fato parece ser um causador de nossa falta de diálogo e, consequentemente, o adversário se torna inimigo e não se escuta mais, prevalece o ódio.

*Gregório Unbehaun Leal da Silva
– gregoriosilva1986@gmail

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.