Coluna do Grego: O que poderia ter evitado a greve dos caminhoneiros?

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Algo poderia ser feito pelo nosso país para evitar a greve dos caminhoneiros? Sim, bastava seguir o modelo de cobrança de impostos de outros países. Essa é pauta da reforma tributária.

Nosso Estado brasileiro tem sua maior fonte tributando sobre o consumo (49,7%). Por outro lado, tributa pouco o patrimônio e a renda dos maiores salários.

Como assim?  Quando você compra algo, paga um imposto muito alto pelo valor do mesmo, ao passo que, sobre heranças, o valor é irrisório, se comparado ao praticado nos Estados Unidos, por exemplo. No Brasil, o imposto sobre herança é de 4%, nos Estados Unidos, chega a 50%, dependendo do valor. O máximo que alguém paga de imposto de renda no Brasil é 27,5%, na Dinamarca, aqueles com maior renda chegam a pagar 63,1%.

Na prática, os pobres e as classes médias acabam pagando muito mais imposto que os ricos no Brasil. Esse modelo é o oposto ao de países como Estados Unidos, Dinamarca, Reino Unido, entre outros.

Significa que uma pessoa pobre é obrigada a empregar mais da metade do que ganha em impostos, já que a maior parte (ou tudo, na maioria dos casos) se dará nas compras de itens alimentícios, combustíveis, roupas, etc. Já uma pessoa com renda de R$ 200 mil por mês contribui em impostos com cerca 23% de seus rendimentos, ou seja, consumo é menor na parcela de seus rendimentos.

Ah, e sabe os lucros das empresas? Pois é, não há impostos sobre eles. Sabe qual é o outro país que adota essa prática? Estônia, uma grande potência! Todas as maiores potências do mundo taxam dividendos de acionistas. O poder público brasileiro é um Robin Hood às avessas, rouba dos pobres, para dar aos ricos.

Relação com o preço do combustível

As constantes altas no preço dos combustíveis decorrem de diversos fatores, mas, se houvesse um sistema de arrecadação de impostos igual ao dos países citados, com certeza, esse item seria bem mais barato. Não haveria tantos impostos (CIDE, COFINS) e, muito possivelmente, a greve dos caminhoneiros não teria ocorrido.

O dono da Friboi pagou muito menos imposto que você em 2017, se levarmos em consideração quanto ele tem e ganha e quanto você tem e ganha. Sabe a peça de picanha que você compra no supermercado ou aquele smartphone novo? Então, eles seriam muito mais baratos, se adotássemos o modelo de tributação dos Estados Unidos ou da França. Mais gente gastaria mais e até mesmo a indústria produziria mais. Assim, todos sairiam ganhando, sem necessidade de diminuição dos serviços públicos.

Outros dois dados explicam a situação precária que levou o país a esse caos em que se encontra: 60 milhões de brasileiros estão com o nome sujo e apenas seis pessoas têm a mesma riqueza que 100 milhões de brasileiros. Se tivéssemos uma tributação menor sobre o consumo, haveria mais dinheiro sobrando para os mais pobres.

Se os ricos pagassem mais impostos que os pobres, como acontece nos melhores países do mundo, é possível supor que a vida do caminhoneiro seria muito melhor. Mas não só a do caminhoneiro.

Fontes: Oxfam / SPC / OCDE – CETAD / IPEA / Carta Capital Edição 1003.

 

*Gregório Unbehaun Leal da Silva
– gregoriosilva1986@gmail.com

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