coluna

Prezados leitores e leitoras, é com muito prazer que inicio a minha trajetória nesse espaço. Tenho como intenção tecer comentários e análises sobre política e cotidiano.  

O primeiro tema dessa coluna: uma breve análise da pesquisa Datafolha para corrida presidencial.  E por que esse tema? A escolha se dá, caro leitor, pelo momento histórico em que a mesma foi realizada. Trata-se da primeira pesquisa presidencial, após a condenação em segunda instância do ex-presidente Lula.
 Esse personagem tão polêmico na nossa história política continua nadando de braçada e liderando essa pesquisa, mesmo com a condenação. Mas adianto, que é inútil, uma vez que dificilmente escapará da inegibilidade. Devido a esse fato, me desculpem os lulistas, nosso foco será sobre os cenários investigados sem a presença do ex-presidente.
Algumas perguntas se fazem importantes. Primeiro: para onde vão os votos do petista? Segundo: quem ganharia hoje, numa hipotética eleição? E terceiro e mais importante: qual as possibilidades dos candidatos para vitória na eleição?
Vamos começar pela primeira pergunta. Os maiores beneficiados são Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT). Ambos se mantêm em segundo lugar em dois cenários avaliados sem Lula.
Mas esse crescimento é insuficiente para fazer os mesmos alcançarem o líder, deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ). Geraldo Alckmin (PSDB) seria outro beneficiado, com uma situação que varia de 6%, nos cenários com Lula, a 11%, no cenário sem o petista.
No entanto, sobre quem ganharia hoje, Marina Silva venceria Bolsonaro, em um eventual segundo turno (42% a 32%). Já Alckmin estaria em uma situação de empate técnico, quando confrontado com Bolsonaro (33% a 35%).
Chegamos então ao questionamento final: quem, possivelmente, vencerá em outubro de 2018? Imaginando o cenário sem Lula, que é o mais provável, é muito difícil apontar quem vencerá. Há alguns fatores a se ressaltar. Para onde vai o PMDB? Como ficará o Partido dos Trabalhadores nessa disputa sem o ex-presidente? Lançará outro nome? Esse nome herdará parte do capital político lulista?
Uma coisa é certa, é muito provável que o indicado petista para essa eleição herde parte desse capital e seja um importante nome nessa disputa, mas hoje o cenário é de um lulismo que resiste às denúncias e um petismo cada vez mais enfraquecido. O partido não tem um nome de peso para a disputa, além do ex-presidente. 
A situação de Bolsonaro também não é das mais tranquilas, mesmo com boa porcentagem, lhe faltam duas coisas muito importantes, que alguns analistas teimam em esquecer: fortes palanques de apoios partidários e dinheiro. Isso, e também o fraco sistema de alianças, pode fazer a candidatura não resistir a eventuais ataques dos adversários.
Aqui se faz um adendo, não é válida, em minha visão, a comparação entre o deputado e Donald Trump. As diferenças são: Trump tinha dinheiro e um partido muito forte ao seu lado. No entanto, destaca-se como ponto positivo a força de votos declarados que Bolsonaro tem hoje, vale frisar também a força nas redes sociais.
Alckmin, embora pouco mencionado na pesquisa, tem todo esse aparato que falta a Bolsonaro. Marina também o tem, em menor escala. E até Ciro Gomes. Alckmin é, nesse quesito, aquele que mais dispõe de palanques (governadores, senadores, prefeitos), dada a força de seu partido. Os três padecem, no entanto, da forte penetração que o lulismo e o “bolsonarianismo” têm hoje e precisam lutar muito para obter bom desempenho nesse quesito. No entanto, qualquer previsão certa é impossível hoje no Brasil, o país da Jabuticaba.

 

*Gregório Unbehaun Leal da Silva
– gregoriosilva1986@gmail.com

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